quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ana,


   Como é dizer eu te amo?
   As vezes que senti isso não pude dizer, não consegui dizer.
   Hoje queria poder dizer isso, mas não posso. Avaliando os últimos anos, de tudo o que tive,  tu estas sendo o mais próximo do te amo. O pior é que gostei de uma e de outra pessoa, muito mais do que de ti, nesse momento, e nem sei se vou gostar a esse ponto, ainda sim te amo e não as amei. Não a conheço, tenho certeza que nunca irei conhecer, mas amo. Não nos temos perto,  não nos falamos, não temos contato, nem aparências, muito menos diferenças, não sabemos nada, cor, musica, livros, futilidades, nada... só o primeiro nome, que teima em pedir complemento, e um misero endereço incompleto que nunca me levará a lugar nenhum, muito menos essas cartas. Não temos nada, não é mesmo minha pequena? Nem uma relação pequena, cortada, laçada ou entrelaçada. Só temos o que está em questão. A questão é: eu te amo.
   Tenho um cão universitário, não mora comigo, não me faz companhia, o vejo quando resolve aparecer, dou comida quando está ao meu lado, carinho quando assiste algumas aulas, e quando olho de novo... pronto, sumiu, não está mais lá, está correndo atrás de uma cadelinha ou simplesmente indo atrás de outro dono. Sou louco por meu cachorro, amo-o.  Eu o deixo livre conforme sua natureza, ou ele me deixa livre conforme a minha, não sei nada dele, talvez por isso eu goste mais dele do que do papagaio que vive em minha casa, engaiolado.
   Vendo assim por esse lado, você até parece com meu cãozinho, por favor não se irrite com a minha falta de jeito de dizer as coisas, não é que eu goste de você como gosto do cão, mas é a única forma que vejo de afirmar todo esse sentimento... nossa!SENTIMENTO! Essa palavra me dá calafrios...
   Ninguém disse que eu precisava afirmar nada né?
   A auto-afirmação  e a mania de dar significado e nome as coisas disseram que eu precisava sim...
   Enfim, o a única coisa que realmente importa é: eu te amo...

Pedro


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