- Ana?!
- Alô?
- Ana?
- Ahh!Ahhh não! Não acredito! Aiii que linda!! Que vontade de te apertar!! É você?! Como você tá? Tá bem?
- Sim! Sou eu... tô bem... e você? Como tá?
- Cara, é que to no meio de uma assembléia... Mas tô bem... E aí?
- Volta lá, ligo depois...
- Não não... fala.
- Não quero te atr... queria escutar tua voz, pra lembrar como é...
- Tô numa assembléia com dois mil estudantes... ãn? Queria escutar minha voz?
- É... queria escutar tua voz, pra lembrar como é...
- Mas por telefone nem dá... sai diferente, mas dá ter uma idéia... Ou não... quer saber? Não te guia por essa imagem não!
- Não quero me guiar por imagem nenhuma, quero esperar e construir todas...
- É é... não pensa em nada mesmo, só pensa que tá bom assim, gostoso... é melhor.
- Sim, sim... tá bom assim...Então... é isso! Volta lá, senão você vai perder a assembléia.
- Então é isso... beijão linda!
- Beijão...
Quando o telefone desligou, tremia mais do que coqueiro coquerando na beira da praia. E de repente um misto não sem de que começou a tomar conta dos meus dedos, pernas, tronco, braços, cada fio de cabelo tomado pelo rebuliço das borboletas, assim chamo essa mistura de sentido. Sorria e junto do meu sorriso, diversas lágrimas, uma pedra de gelo no lugar da barriga, vontade de correr, pular, gritar, ficar quieta num canto onde ninguém no mundo pudesse me ver, só pra tentar guardar na memória cada sonzinho ouvido minutos antes.
Dizia: “tô nervosa, tô nervosa”, “Não quero ela... não! Não!.”, “ eu quero! Eu quero ela aqui!.” “preciso me acalmar... não posso ficar assim...” “como ela tá conseguindo fazer isso comigo?”.
As frases vinham uma pós a outra, não sei se as falava ou se elas falavam de mim... A confusão de pensamentos, a voz dela, minhas lagrimas meu riso. Borboletas em ebulição. Assim foi a primeira ligação.
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